Agronegócio em 2026 cenário, tendências e riscos para o Brasil

Agronegócio em 2026: cenário, tendências e riscos para o Brasil

A entrada de 2026 acontece com produção projetada alta e início de ciclo agrícola com números já publicados. A Conab, no 3º levantamento (dez/2025), estimou a safra brasileira de grãos 2025/26 em 354,4 milhões de toneladas, com aumento de área e produtividade média nacional menor, o que mantém o mercado atento a revisões ao longo da safra.

No lado financeiro, o custo do dinheiro segue elevado. O Copom manteve a Selic em 15,00% ao ano em dezembro de 2025 e sinalizou manutenção por período prolongado, o que influencia diretamente custeio, capital de giro e decisões de compra de insumos e travas.

Em comércio exterior e clima, o Brasil fechou novembro/2025 com exportações de US$ 28,5 bi, importações de US$ 22,7 bi e superávit de US$ 5,8 bi (MDIC/Secex), enquanto o Inmet confirmou La Niña e indicou chance relevante de transição para condição neutra entre jan–mar/2026, reforçando a necessidade de acompanhar boletins climáticos na tomada de decisão no campo.

Produção e oferta no Agronegócio em 2026

Safra

A Conab estima a produção brasileira de grãos na safra 2025/26 em 354,4 milhões de toneladas (3º levantamento, dezembro/2025), com variação positiva de 0,6% em relação à safra anterior. 

Dentro desse total, a Conab projeta soja em 177,1 milhões de toneladas (com possibilidade de ajuste conforme clima e andamento de campo) e milho total em 138,9 milhões de toneladas (somando as três safras). 

Área plantada

A área semeada total de grãos está projetada em 84,2 milhões de hectares, alta de 3% sobre a safra 2024/25 (expansão de aproximadamente 2,5 milhões de hectares). 

Na soja, a Conab estima 48,9 milhões de hectares destinados ao cultivo na safra 2025/26. 

A área projetada ainda pode sofrer ajustes ao longo do ciclo por variáveis de mercado e clima, principalmente quando se consolidam as decisões de 2ª e 3ª safras e as culturas de inverno. 

Produtividade

A produtividade média nacional das lavouras de grãos está estimada em 4.210 kg/ha na safra 2025/26, abaixo dos 4.310 kg/ha registrados na safra 2024/25. 

Essa queda na produtividade média, combinada com a expansão de área, é um dos pontos centrais para entender a oferta em 2026: o volume total cresce pouco, e o resultado final depende da consolidação do rendimento nas principais regiões produtoras. 

No acompanhamento de campo, a Conab descreve variações de precipitação por região e indica que o andamento do plantio respondeu à regularização das chuvas em parte do país, o que reforça que produtividade e volume ainda dependem do comportamento climático ao longo do ciclo. 

Preços e margens no Agronegócio em 2026

Custos

A margem em 2026 tende a depender mais do custo total por hectare e do preço recebido em reais do que de volume. Para acompanhar, foque em: COE (custo operacional efetivo), COT (custo operacional total), frete/armazenagem e custo financeiro. Um indicador simples é quantas sacas são necessárias para pagar o custo (COE/COT). Em relatório de custos de grãos, o Cepea apontou leve alta de orçamento de custo (0,4%) para 2025/26 e pressão de margem ligada à expectativa de preço mais baixo da soja em 2026.

Fertilizantes em 2026

Os fertilizantes continuam sendo uma das linhas que mais mexe no custo. A leitura de curto prazo é: 2025 pressionou preços, e o cenário-base para 2026 é de alívio gradual, mas ainda com risco de choque por energia, capacidade e restrições comerciais. O Banco Mundial projetou o índice de fertilizantes caindo em 2026 após alta em 2025; no detalhe, a ureia foi projetada com salto em 2025 e queda em 2026.

Defensivos

Defensivos entram na conta como custo crítico por dois motivos: participação relevante no COE e sensibilidade ao câmbio e oferta de ativos. O controle de margem aqui é prático: comparar o “pacote tecnológico” planejado vs. executado (dose, número de aplicações e custo por aplicação) e revisar isso conforme pressão de pragas/doenças e clima.

Câmbio

O câmbio afeta duas pontas ao mesmo tempo:

(1) encarece ou barateia insumos importados (fertilizantes e parte relevante de defensivos); e

(2) muda o preço recebido em reais na exportação.

Para ter referência objetiva, o dólar comercial (média compra) esteve em R$ 5,4005 em 12/12/2025 em série pública do IpeaData.

Crédito e juros no Agronegócio em 2026

Plano Safra

Para 2026, o crédito rural segue sendo o principal instrumento para custeio, comercialização e investimento. No Plano Safra 2025/2026 (agricultura empresarial), o governo anunciou R$ 516,2 bilhões para médios e grandes produtores, com condições variando por programa e perfil do beneficiário. 

Um ponto prático que afeta o acesso ao custeio é a exigência de observância do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para operações acima de determinados valores, conforme descrito no lançamento do plano.

Na agricultura familiar, o Plano Safra 2025/2026 prevê R$ 89 bilhões, sendo R$ 78,2 bilhões via Pronaf, com taxas reduzidas para produção de alimentos (ex.: 3%, ou 2% para orgânico/agroecológico, segundo o MDA).

Taxa

O custo do crédito em 2026 começa influenciado pelo patamar da taxa básica: o Copom manteve a Selic em 15,00% a.a. em dezembro de 2025 e indicou manutenção por período prolongado.

Na prática, isso aumenta o custo de capital fora das linhas equalizadas e torna obrigatória a comparação entre: taxa nominal, custos do banco, seguros/tarifas, prazo e cronograma de pagamento. Em linhas específicas, as taxas podem ser menores; por exemplo, no Pronamp (BNDES), a página do programa informa taxa prefixada de até 10% ao ano e regras de redução condicionada para custeio até 30/06/2026.

Capital de giro

Com juros altos, capital de giro vira tema operacional. O objetivo é casar entradas (venda/embarque) com saídas (insumos, folha, frete, armazenagem e parcelas) sem depender de crédito emergencial. Um roteiro simples:

  1. Montar um fluxo de caixa mensal (12 meses) com 3 cenários de preço/câmbio;
  2. Definir necessidade máxima de caixa (pico de desembolso) e travar limite de crédito antes do pico;
  3. Usar crédito de custeio para o ciclo produtivo e crédito de comercialização quando fizer sentido segurar venda (comparando custo financeiro x ganho esperado);
  4. Acompanhar “custo do dinheiro por mês” do contrato (para medir o impacto real na margem).

Leia também: Seguro Rural: Produtor Rural, conheça a atualização do ZARC

Demanda e exportações no Agronegócio em 2026

China

A China segue como principal destino para soja e derivados. Em novembro de 2025, as importações chinesas de soja foram de 8,11 milhões de toneladas, +13,43% ano contra ano, segundo dados alfandegários citados pela Reuters.

Do lado do Brasil, a Conab projetou exportações de soja (safra 2025/26) em 112 milhões de toneladas (estimativa de dez/2025).

União Europeia

Para a União Europeia, o ponto central é o requisito. A Comissão Europeia informa que a entrada em aplicação do Regulamento Antidesmatamento (EUDR) foi fixada em 30/12/2026 para operadores médios e grandes (e 30/06/2027 para micro/pequenos).

Proteína animal

A demanda por milho e farelo de soja é sustentada pela produção e exportação de proteína. A ABPA projeta, para 2026, exportações de carne de frango em até 5,5 milhões de toneladas e exportações de carne suína em até 1,55 milhão de toneladas, mantendo a trajetória de alta.

Isso importa porque aumenta a disputa por grãos no mercado interno (ração), especialmente em momentos de aperto logístico e de crédito.

Leia também: Exportação agrícola: quais são os principais benefícios fiscais disponíveis?

Logística no Agronegócio em 2026

Em novembro de 2025, o MDIC registrou US$ 28,5 bilhões em exportações no mês (recorde para novembro) e corrente de comércio de US$ 51,2 bilhões, sinalizando alto giro de cargas no fim do ano.

Para 2026, os pontos que mais costumam afetar custo e prazo são: frete, disponibilidade de caminhões, armazenagem, fila/janela em porto e sincronização de embarque com contrato (principalmente em pico de safra).

Regulação e requisitos no Agronegócio em 2026

Rastreabilidade

A rastreabilidade se torna cada vez mais crucial para garantir acesso a mercados internacionais, especialmente na União Europeia e EUA, onde a legislação exige comprovação de origem e sustentabilidade nas cadeias produtivas. Para a soja, por exemplo, a exigência de rastrear a origem da terra e garantir que não haja desmatamento ilegal nas áreas de plantio está cada vez mais presente nas negociações. A rastreabilidade é vista como uma obrigação legal e competitiva, e quem não se adaptar pode perder acesso a grandes compradores internacionais. Além disso, tecnologias como Blockchain estão sendo aplicadas para garantir a veracidade dos dados, o que torna a conformidade ainda mais exigente.

EUDR (Regulamento Antidesmatamento da União Europeia)

O Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), que entra em vigor em dezembro de 2026, estabelece que empresas exportadoras de certos produtos (como soja, óleo de palma, cacau, café, e produtos derivados de madeira) devem garantir que os produtos não foram originados de áreas desmatadas ilegalmente. Este regulamento afeta diretamente os produtores brasileiros, pois a União Europeia é um dos maiores destinos de exportação da soja e carne brasileira. Para estar em conformidade com a EUDR, os produtores precisam documentar a origem de seus produtos, o que aumenta a necessidade de investir em sistemas de rastreabilidade, geolocalização e certificações. O EUDR vai criar um custo adicional para os exportadores que não atenderem aos requisitos de rastreabilidade.

Certificações

As certificações como UTZ, Fair Trade e RSPO (Roundtable on Sustainable Palm Oil), entre outras, estão se tornando mais exigidas por mercados internacionais. Elas não apenas atendem a demandas de sustentabilidade, mas também são usadas como ferramentas de marketing e diferenciação. A certificação de sustentabilidade das cadeias produtivas de soja e carne tem um impacto direto nas exportações brasileiras. O processo de obtenção dessas certificações envolve um compromisso com práticas como uso responsável da terra, preservação ambiental e condições de trabalho justas, sendo uma forma de demonstrar a responsabilidade social e ambiental dos produtores e da indústria. Com a crescente pressão internacional e a aplicação do EUDR, as certificações terão papel fundamental em garantir a competitividade no comércio global.

Leia também: Bonsenhor Contabilidade conquista o selo EcoVadis Committed

Cenários para o agronegócio 2026

CenárioPremissas principaisEfeito mais provávelDecisões típicas
OtimistaClima dentro do esperado; preços firmes e/ou câmbio favorável; insumos e crédito com melhora gradualMargem melhora; mais espaço para vender em etapas e reduzir pressão de caixaVendas escalonadas por meta de margem; travar parte do custo de insumos quando fizer sentido; investimentos pontuais com retorno claro
BaseSafra próxima das estimativas com variações regionais; preços oscilando “normal”; câmbio sem tendência forte; juros altos no início e crédito mais seletivoMargem apertada em parte do setor; logística e timing de venda pesam maisOrçamento por cultura com ponto de equilíbrio; vendas por janela com trava parcial; controle rígido de COE/COT e custo financeiro mensal
PessimistaQuebra regional por clima/atraso de janela; queda de preços e/ou câmbio desfavorável; insumos pressionam; crédito encarece/encurta prazosMargem comprimida; maior risco de descasamento de caixa e venda forçadaPriorizar liquidez (cortar não essenciais); proteger preço mínimo (travas/contratos); fracionar compras e revisar pacote tecnológico

Gatilhos objetivos para ajustar o cenário

CategoriaO que acompanharPara que serve
Climachuva acumulada, previsões e condição de solo na fase crítica da culturaAntecipar risco de produtividade e ajustar compras/vendas
Preço e câmbiopreço em R$/saca e variação semanal do dólarMedir preço “real” recebido e decidir travas
Créditotaxa final, prazo, carência e custo efetivo do contratoEvitar descasamento de caixa e dívida cara
Logísticacusto de frete, fila/janela, capacidade de armazenagemEvitar perda por execução e custo extra em pico

Conclusão sobre as expectativas para o Agronegócio em 2026

Em 2026, o agronegócio entra com oferta elevada, crédito mais caro e exigências de mercado mais objetivas, o que desloca o foco de volume para gestão de margem e execução. O que permanece é a relevância da demanda externa, especialmente por grãos e proteína animal, e a dependência de clima, câmbio e logística. O que muda é o peso maior de rastreabilidade, custo financeiro e timing de venda nas decisões. O passo imediato é organizar orçamento por cultura, mapear ponto de equilíbrio e definir gatilhos de venda e crédito antes do pico de desembolso.

Deseja uma abordagem personalizada para ajustar o planejamento da sua operação em 2026? Clique aqui e fale agora mesmo com um especialista.

Isso pode te interessar:

Há mais de 35 anos ajudando empresas a crescer com segurança e confiança. Atuamos com ética, inovação e compromisso para simplificar a gestão e fortalecer o futuro do seu negócio.

CRC PR 005900/O

Atenção! Se deseja oferecer seus serviços, buscar uma vaga de emprego ou solicitar uma entrevista à imprensa, clique aqui para acessar nosso portal.

Vamos Conversar?

Preencha o formulário abaixo e receba uma Análise Especializada.

Fale conosco

Estamos prontos para ajudar!