Março de 2026 marca o início prático da adaptação das empresas ao novo modelo de tributação do consumo. A CBS e o IBS já constam nos documentos fiscais eletrônicos, os sistemas estão sendo parametrizados e as áreas fiscal e financeira convivem com dois mundos tributários em paralelo.
Embora o recolhimento efetivo esteja dispensado no ano-teste para quem cumpre as obrigações acessórias, a mudança já impacta decisões gerenciais, especialmente quando o tema é CBS e IBS na importação, porque o custo total do produto nacionalizado é um dos primeiros indicadores a “sentir” qualquer alteração de base, crédito e fluxo de caixa.
Para CFOs, a questão central não é operacional. É estratégica: como o novo modelo alterará o custo total de importação, a formação de preço e a estrutura de contratos nos próximos anos, dentro do contexto de importação e a reforma tributária?
Este artigo apresenta uma abordagem técnica e prática para simular cenários ainda em 2026.
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1. Contexto atual da importação e a reforma tributária
Em março de 2026:
- CBS e IBS já aparecem nas notas fiscais conforme os novos leiautes.
- O recolhimento está dispensado no período de teste, desde que as obrigações acessórias estejam corretas.
- PIS, Cofins, ICMS e IPI continuam vigentes no regime atual.
Essa sobreposição cria uma oportunidade relevante: usar 2026 como laboratório gerencial para projetar o impacto financeiro da transição. Para empresas com operações internacionais, esse laboratório é ainda mais valioso, porque CBS e IBS na importação tendem a alterar não só a carga efetiva, mas o timing e a qualidade do crédito ao longo do ciclo de nacionalização.
2. Estrutura técnica do custo total de importação na reforma tributária
Para uma análise consistente, você precisa separar o custo total de importação em três camadas:
| Camada | O que entra no custo | Observações gerenciais (2026) |
|---|---|---|
| Aduaneira | Valor aduaneiro; Imposto de Importação; IPI; Taxas portuárias e despesas alfandegárias | Base para comparabilidade entre cenários e NCMs. Útil para isolar o “custo de nacionalização” antes dos tributos internos. |
| Tributária interna | PIS; Cofins; ICMS; Eventuais benefícios fiscais regionais | Onde a transição tende a mexer mais na lógica de crédito e no efeito caixa. Mapear dependência de benefícios evita surpresas na migração. |
| Financeira e logística | Frete internacional; Seguro; Armazenagem; Capatazia; Custos de nacionalização; Custo de capital | Principal alavanca de variação não tributária. Essencial para testar sensibilidade (câmbio, prazos, estoque e giro). |
Com a futura substituição de PIS e Cofins pela CBS e de ICMS pelo IBS, a dinâmica de créditos e não cumulatividade será alterada. Em termos de importação e a reforma tributária, o ponto crítico não é apenas a alíquota nominal, mas a forma de apropriação de créditos, a base de incidência e o impacto no capital de giro — sobretudo ao simular CBS e IBS na importação em produtos com maior peso tributário e giro mais lento.
3. Simulação de cenários: metodologia recomendada para CFOs
Em 2026, o momento ideal é estruturar três cenários:
Cenário 1 – Modelo atual
Simulação com carga tributária vigente e benefícios atuais.
Cenário 2 – Modelo híbrido projetado
Aplicação de alíquota estimada do novo IVA sobre a base atual, mantendo hipóteses conservadoras de crédito — e registrando separadamente, no simulador, os efeitos esperados de CBS e IBS na importação (crédito, base, timing).
Cenário 3 – Modelo definitivo projetado
Considerando:
- Fim de benefícios regionais
- Não cumulatividade plena
- Tributação no destino
- Nova estrutura de crédito financeiro
A análise deve responder:
- Qual o impacto na margem bruta por NCM
- Qual o impacto no mark-up necessário
- Qual o reflexo no capital de giro
- Qual a sensibilidade cambial combinada com a nova tributação
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4. Efeitos na precificação e na política comercial
Em contratos de médio e longo prazo, especialmente no Comércio Exterior, a precificação precisa considerar:
- Possíveis alterações na estrutura de crédito
- Mudança no fluxo de caixa tributário
- Impacto na competitividade regional
- Necessidade de cláusulas de reequilíbrio tributário
Empresas que não revisarem contratos em 2026 poderão enfrentar distorções quando a transição se intensificar. A precificação baseada apenas na carga histórica pode gerar erosão de margem — principalmente quando os efeitos de CBS e IBS na importação forem refletidos de forma diferente entre categorias de produtos, NCMs e cadeias de suprimento.
5. Gestão de risco e governança tributária
Do ponto de vista de governança, recomenda-se:
- Mapear a dependência de benefícios fiscais
- Avaliar concentração de operações por estado
- Revisar estrutura societária e logística
- Testar impacto no custo unitário por produto
- Atualizar dashboards gerenciais com visão tributária projetada
A fase de testes permite construir indicadores internos antes da consolidação do novo modelo — e transformar o tema importação e a reforma tributária em inteligência aplicada, com leitura clara do efeito de CBS e IBS na importação no custo e no caixa.
6. Impacto no fluxo de caixa e no capital de giro
Mesmo com dispensa de recolhimento em 2026, o CFO deve avaliar:
- Como a não cumulatividade plena pode alterar o timing dos créditos
- Se haverá redução ou aumento de capital imobilizado em tributos
- O efeito combinado entre câmbio e nova tributação
- Eventual redistribuição da carga ao longo da cadeia
O impacto financeiro pode ser mais relevante do que o impacto nominal de alíquota.
2026 é ano de teste operacional, mas também de decisão estratégica
A fase de testes da CBS e do IBS não deve ser interpretada apenas como uma exigência operacional ou fiscal. Para a área financeira, 2026 é o momento de transformar obrigação em inteligência.
O novo modelo já não é uma hipótese futura. Ele está sendo estruturado agora, nos sistemas, nos relatórios e nas notas fiscais. O recolhimento pode estar dispensado no ano-teste, mas a tomada de decisão não pode ser adiada.
O CFO que utilizar 2026 para:
- Mapear exposição tributária por produto
- Revisar margens com base em cenários projetados
- Ajustar contratos com cláusulas de transição
- Integrar fiscal, controladoria e planejamento financeiro
estará posicionando a empresa para atravessar a reforma com previsibilidade e proteção de margem.
O custo total de importação em 2026 não é apenas uma conta tributária. É um indicador estratégico de competitividade futura — especialmente no contexto de importação e a reforma tributária, em que CBS e IBS na importação podem redefinir crédito, caixa e precificação.
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