A tabela NCM 2026 passou por mudanças relevantes em dois momentos do ano: fevereiro e outubro.
Para empresas que trabalham com mercadorias, especialmente em operações de importação e exportação, essas alterações não devem ser tratadas apenas como uma atualização cadastral.
Em alguns casos, códigos deixaram de existir. Em outros, foram criadas classificações mais específicas. Também existem situações em que a nova classificação apresenta tratamento tarifário diferente.
Por isso, a primeira pergunta que a empresa precisa fazer é objetiva:
algum NCM utilizado atualmente em seus produtos foi alterado, desdobrado, criado ou suprimido em 2026?
Se a resposta for sim, a revisão pode alcançar cadastro de mercadorias, ERP, NF-e, parametrização fiscal e, nas operações de comércio exterior, também aspectos tarifários e administrativos.
O que mudou na tabela NCM em 2026?
Dois momentos merecem atenção especial.
O primeiro ocorreu em 1º de fevereiro de 2026, com alterações que modificaram a estrutura de diversos códigos.
O segundo entrou em vigor em 1º de outubro de 2026, com nova atualização da nomenclatura utilizada nas operações e documentos fiscais.
As mudanças são diferentes. Porém, as duas levam à mesma conclusão prática:
o NCM cadastrado no sistema da empresa não deve ser tratado como uma informação permanente.
É necessário acompanhar as atualizações e verificar se elas alcançam os produtos utilizados na operação.
O que mudou na NCM em fevereiro de 2026?
A atualização de fevereiro foi a mais ampla das duas e trouxe exclusões, desdobramentos, novos códigos e alterações de descrição.
Entre os pontos que merecem conferência estão cinco códigos que deixaram de existir na estrutura anterior:
| Código anterior | Referência da mercadoria |
| 5903.90.00 | Outros tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados com plástico |
| 6506.10.00 | Capacetes e artigos semelhantes de proteção |
| 7306.30.00 | Outros tubos soldados de seção circular, de ferro ou aço não ligado |
| 7406.10.00 | Pós de cobre de estrutura não lamelar |
| 8412.90.20 | Partes de máquinas a vapor de movimento retilíneo |
Se algum desses códigos continua ativo no cadastro de produtos da empresa, é necessário verificar qual classificação vigente corresponde corretamente à mercadoria.
Mas existe um cuidado importante:
não basta substituir o código antigo por um código novo aparentemente semelhante.
Em vários casos, houve um desdobramento da classificação.
Isso significa que as características técnicas da mercadoria passaram a determinar qual dos novos códigos deve ser utilizado.
Capacetes: um exemplo de como a mudança pode afetar a tributação
O antigo código 6506.10.00, usado para capacetes e artigos semelhantes de proteção, foi desdobrado.
Passaram a existir classificações mais específicas, como:
6506.10.10 — para determinados capacetes do tipo utilizado por bombeiros, com viseira e protetor facial incorporados;
6506.10.90 — outros.
Esse exemplo ajuda a entender por que uma mudança na NCM pode ir além do cadastro.
As classificações podem apresentar tratamentos tarifários distintos.
Portanto, antes de substituir o NCM no sistema, é necessário verificar se as características efetivas do produto atendem à descrição específica do novo código.
O objetivo não é escolher a classificação com tributação mais favorável.
É identificar qual classificação corresponde corretamente à mercadoria.
Tubos de aço também tiveram desdobramento de NCM
O antigo código 7306.30.00 também foi dividido em classificações mais específicas.
Passaram a existir:
7306.30.10 — para tubos que atendam às características técnicas previstas nessa classificação;
7306.30.90 — para os demais.
Novamente, aparece um ponto importante para empresas que importam ou comercializam esse tipo de mercadoria.
Não basta pesquisar pelo nome “tubo de aço”.
Dimensões e demais características técnicas podem interferir no enquadramento correto.
Consequentemente, o trabalho de revisão precisa começar na mercadoria e em sua documentação técnica — e não apenas no cadastro fiscal existente.
Pós de cobre: composição também pode definir a classificação
Outro exemplo aparece no antigo código 7406.10.00.
A atualização passou a separar produtos conforme características específicas de composição, criando novas possibilidades de classificação.
Entre elas estão:
7406.10.10
7406.10.20
7406.10.90
Nesse caso, informações relacionadas à composição da mercadoria passam a ter importância direta para a definição do código correto.
Esse é um bom exemplo de por que o nome comercial nem sempre é suficiente para classificar um produto.
Dois materiais vendidos sob descrições comerciais semelhantes podem ter características técnicas diferentes e, consequentemente, NCMs diferentes.
Novos códigos NCM também foram criados em fevereiro
A atualização da tabela NCM 2026 não envolveu apenas códigos que deixaram de existir.
Também surgiram classificações mais específicas.
Entre os códigos criados estão:
2601.12.20 — determinados briquetes de minério de ferro;
2915.90.70 — ácidos perfluorooctanoicos e seus sais;
3907.29.92 — éter metalílico de poli(oxietileno), o HPEG;
8517.71.20 — antenas próprias para estações-base de telefonia celular.
Além disso, algumas descrições de códigos existentes também foram atualizadas.
Portanto, a revisão não deve procurar apenas códigos excluídos.
Também é importante verificar se determinado produto, antes enquadrado em uma classificação mais abrangente, passou a contar com um NCM específico.
O que mudou na NCM em outubro de 2026?
A atualização mais recente entrou em vigor em 1º de outubro de 2026.
Entre as alterações está uma nova classificação relacionada a microfones:
8518.10.20 — outros microfones, sem suporte.
O código 8518.10.90 continua sendo utilizado para os demais produtos enquadrados nessa estrutura.
O ponto relevante para a empresa é que os códigos possuem tratamentos tarifários diferentes.
Por isso, empresas que importam, comercializam ou mantêm esses produtos em seus cadastros precisam verificar qual classificação corresponde às características da mercadoria.
Novamente, a lógica é a mesma:
o surgimento de um código mais específico não autoriza uma troca automática de classificação.
Primeiro é necessário identificar tecnicamente o produto. Depois, deve-se verificar o tratamento fiscal e tarifário aplicável.
O que acontece se a empresa continuar usando um NCM que deixou de existir?
Esse é um dos efeitos mais práticos das mudanças.
A NF-e possui validações relacionadas ao NCM informado no documento fiscal.
Quando é utilizado um código que não existe na tabela vigente, pode ocorrer a:
Rejeição 778 — Informado NCM inexistente.
Ou seja, um cadastro que não foi atualizado pode deixar de ser apenas um problema interno e começar a interferir diretamente na emissão da nota fiscal.
Em empresas com grandes volumes de produtos e documentos, o risco aumenta.
Isso ocorre porque uma informação incorreta parametrizada no ERP pode ser repetida automaticamente em diferentes operações.
Por isso, descobrir o erro somente durante a emissão da nota costuma ser tarde demais.
A revisão precisa começar no cadastro.
Como a mudança da NCM afeta empresas de comércio exterior?
Nas operações de importação e exportação, o impacto pode ir além da NF-e.
A NCM está relacionada a diferentes elementos da operação, como:
- Tarifa Externa Comum;
- tratamentos administrativos;
- licenciamento;
- atributos utilizados no Portal Único;
- LPCOs;
- quotas;
- Ex-tarifários;
- medidas de defesa comercial;
- controles de órgãos anuentes.
Por isso, quando um código é alterado ou desdobrado, a pergunta não deve ser apenas:
“Qual NCM preciso cadastrar agora?”
Também é necessário verificar:
“O que mudou na operação vinculada a esse NCM?”
Esse segundo questionamento é especialmente importante para importadores e exportadores.
Uma mudança de NCM pode alterar o custo de uma importação?
Pode existir impacto.
A classificação fiscal da mercadoria é uma das informações utilizadas para determinar seu tratamento tarifário.
As próprias mudanças de 2026 mostram situações em que um código anterior foi dividido em classificações mais específicas, com tratamentos tarifários diferentes.
Por isso, uma nova classificação pode produzir reflexos no custo tributário da operação.
No entanto, existe uma regra essencial:
uma empresa não pode escolher o NCM apenas porque determinado código apresenta uma alíquota mais favorável.
A classificação precisa corresponder às características reais da mercadoria.
Portanto, primeiro vem a classificação.
Depois, a análise do efeito tributário e tarifário.
O nome comercial do produto é suficiente para definir a NCM?
Nem sempre.
Esse é um ponto importante principalmente quando um código existente é desdobrado.
Considere uma empresa que possuía diversos produtos cadastrados no antigo 6506.10.00.
Não seria correto simplesmente transferir todos os itens para uma única classificação nova.
Primeiro, é necessário verificar quais mercadorias atendem às características de um código específico e quais permanecem em uma classificação residual.
Dependendo do produto, a análise pode envolver informações como:
- composição;
- matéria-prima;
- dimensões;
- finalidade;
- funcionamento;
- aplicação;
- características técnicas;
- forma de apresentação.
Por isso, o cadastro comercial e a descrição usada em vendas não substituem a análise da classificação fiscal.
Quais empresas devem revisar a tabela NCM 2026?
Nem toda empresa precisa revisar todo o cadastro de produtos por causa de cada atualização.
A prioridade é verificar se a operação utiliza mercadorias alcançadas pelas mudanças.
A atenção deve ser maior para empresas que:
- utilizam códigos alterados ou suprimidos em 2026;
- importam ou exportam mercadorias;
- possuem grande volume de produtos no ERP;
- emitem documentos fiscais de forma automatizada;
- trabalham com químicos, produtos industriais, equipamentos ou mercadorias de classificação técnica mais complexa;
- utilizam Ex-tarifários, quotas ou tratamentos específicos;
- dependem de licenças e controles administrativos;
- integram ERP, sistemas fiscais e plataformas de comércio exterior.
Quanto maior o nível de automação, maior pode ser o efeito de uma parametrização incorreta.
O problema pode ser cadastrado uma única vez e replicado em dezenas ou centenas de operações.
Como revisar os códigos NCM na empresa?
Uma revisão das mudanças de 2026 pode seguir uma sequência objetiva.
1. Pesquise os códigos que deixaram de existir
Comece procurando no ERP e nos cadastros fiscais os seguintes códigos:
5903.90.00
6506.10.00
7306.30.00
7406.10.00
8412.90.20
Se algum deles ainda estiver associado a mercadorias ativas, identifique a classificação atualmente aplicável.
2. Verifique os produtos alcançados por desdobramentos
Evite substituições automáticas.
Quando um código foi dividido, as características técnicas da mercadoria precisam ser confrontadas com as novas descrições.
3. Confira os novos códigos
Verifique se algum produto da empresa, anteriormente enquadrado em uma classificação mais abrangente, passou a contar com código específico.
4. Revise as mudanças de outubro
Empresas que trabalham com produtos enquadráveis na posição de microfones devem verificar a nova classificação 8518.10.20 e sua distinção em relação ao 8518.10.90.
5. Atualize os sistemas relacionados
Depois de definir a classificação correta, revise os ambientes que dependem dessa informação.
Isso pode envolver:
- ERP;
- cadastro de produtos;
- sistemas fiscais;
- emissão de documentos eletrônicos;
- integrações;
- parametrizações relacionadas ao comércio exterior.
6. Verifique os reflexos tributários e tarifários
A classificação definida deve ser confrontada com os tratamentos aplicáveis à mercadoria.
Em operações internacionais, também é necessário verificar eventuais impactos administrativos.
7. Não classifique apenas pela descrição comercial
Quando houver dúvida, é necessário analisar as características efetivas do produto e as regras aplicáveis à classificação fiscal.
O que revisar além do cadastro do ERP?
Esse é um ponto que merece atenção.
Atualizar o campo NCM no cadastro de produto é importante, mas não necessariamente encerra o trabalho.
Dependendo da operação, a empresa também deve verificar se a alteração precisa ser refletida em:
- regras fiscais parametrizadas;
- documentos eletrônicos;
- cadastros integrados;
- sistemas de comércio exterior;
- tratamentos tributários;
- controles administrativos;
- processos internos que utilizam a classificação da mercadoria.
A lógica é simples:
se vários processos dependem da NCM, uma mudança de NCM pode precisar chegar a todos esses processos.
Tabela NCM 2026: atualizar não significa apenas trocar oito dígitos
As mudanças de fevereiro e outubro mostram por que a classificação fiscal precisa ser acompanhada continuamente.
Um NCM desatualizado pode interferir na emissão de documentos.
Uma classificação incorreta pode produzir reflexos tributários.
E, no comércio exterior, o mesmo código também pode estar ligado ao tratamento tarifário e administrativo da operação.
Por isso, a revisão da tabela NCM 2026 não deveria ser tratada apenas como manutenção do cadastro.
O objetivo é verificar se:
a mercadoria está corretamente classificada;
o código utilizado continua vigente;
os sistemas da empresa estão coerentes com essa classificação;
e os efeitos fiscais, tributários e operacionais foram avaliados.
Para empresas com grande volume de mercadorias ou operações mais complexas, esse acompanhamento reduz o risco de uma informação desatualizada se espalhar por diferentes etapas do processo.
A Bonsenhor Contabilidade acompanha mudanças fiscais e tributárias que impactam operações empresariais e auxilia seus clientes na avaliação dos reflexos dessas alterações na rotina fiscal e contábil.
Sua empresa já verificou se os NCMs utilizados nos produtos continuam válidos após as mudanças de 2026?
PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE A TABELA NCM 2026
A tabela NCM mudou em 2026?
Sim. Houve alterações relevantes com efeitos em fevereiro e outubro de 2026, incluindo códigos suprimidos, novos códigos, desdobramentos e alterações de descrições.
Quais códigos NCM deixaram de existir em fevereiro de 2026?
Entre os códigos que precisam de atenção estão 5903.90.00, 6506.10.00, 7306.30.00, 7406.10.00 e 8412.90.20. A classificação substituta depende das características de cada mercadoria.
O que acontece se a empresa informar um NCM inexistente na NF-e?
A utilização de um código inexistente na tabela vigente pode gerar a Rejeição 778 da NF-e, identificada como “Informado NCM inexistente”.
Toda mudança de NCM altera os impostos?
Não. O impacto depende da alteração e da classificação aplicável à mercadoria. Porém, determinados desdobramentos podem apresentar tratamentos tarifários diferentes, o que exige análise após a definição correta do NCM.
Empresas importadoras e exportadoras precisam revisar a NCM?
Devem verificar se os produtos utilizados nas operações foram alcançados pelas alterações. No comércio exterior, além do cadastro e dos documentos fiscais, mudanças de classificação podem se relacionar a tarifas, licenças, tratamentos administrativos, quotas e outros controles aplicáveis à mercadoria.




